segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Eu não sou supersticioso...

"If your head is alright, you don't need binoculars to see the light..."




Engraçado. Na maioria das vezes, quando digo para as pessoas que não tenho religião, ou – quando quero encher o saco de algum “carola” – digo que não sou supersticioso e, logo, não acredito em Deus, as reações costumam se resumir a duas posturas: ou ficam chocados, ofendidos ou mesmo assustados com a minha “cara de pau”, me chamando de maluco, irresponsável, pecador, e por aí vai; ou então me encaram com aquela condescendência geralmente dirigida a crianças e retardados em geral, sendo que quase posso ouvir os pensamentos de “...ah... coitado, ele não sabe de nada, e parecia tão inteligente...”

As duas são bastante irritantes, mas tudo bem: temos que tolerar o próximo, já que retaliar dá muito trabalho e eu tenho mais o que fazer (brincadeirinha...).

Poucos foram os que não se espantaram ou que realmente ficaram interessados na minha escolha. Bons debates surgiram até.

O que torna isso interessante é que parece mais fácil tolerar uma religião diferente da sua do que alguém que não possui religião ou não acredita em Deus e nem em suas variantes.

Curioso, não é mesmo?


Comentário quase aleatório: Obviamente, tolerar a religião alheia não significa aceitar sua existência. Então, já que não é possível combater o direito do cidadão de comungar na crença “errada”, o verdadeiro homem de fé deve apenas lamentar sua ignorância (além de zombar dela a portas fechadas) e rezar para que Papai do Céu dê uma lição nesse pecador-apóstata-bárbaro-pagão-filho-da-puta, de preferência fodendo a vida do desgraçado, somente para poder, depois, fingir pena mas olhar como quem diz “Bem feito.” Fim do comentário.



Por hoje é só pessoal........








Oam patapai

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O outro lado

"Some people say my love cannot be true..."







Entrevistador: Então, se todos os seres que você chama de “essenciais”, sejam angelicais ou não, surgem do mesmo “tecido primordial”, da própria “vontade suprema”, como é que se pode reconhecer quem é anjo ou quem é demônio? Dá para diferenciar um do outro?

Lúcifer: Claro que sim. É muito fácil, na verdade. Óbvio até: o demônio é sempre aquele que tem o "pau" maior... (gargalhadas)










Seria muito bom se pudéssemos todos conhecer a versão do "perdedor", não é mesmo?


Passar o microfone para o "invejoso", o "inimigo" e ouvir seu lado da história.


Pode até ser tudo mentira, mas que deve ser engraçado, isso deve...


Não que Deus não tenha senso de humor. Ele tem (Abraão que o diga). Religiosos em geral é que costumam ser mal-humorados...







E freiras não têm graça...






Oam patapai...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Crisis? What crisis?

"Just when you thought it was safe to go back to the water..."







Sofrendo com um caso de bloqueio agudo, resolvi apelar... a letra é boa e reveladora... então lá vai:




Just for the Record

(letra: Derek William Dick, um escocês beberrão; música: Marillion )


Many's the time I've been thinking about changing my ways
But when it gets right down to it it's the same drunken haze
I'm serving a sentence to write life's sentences
It's only when I'm out of it I make sense of this

Just for the record I'm gonna put it down
Just for the record I'm gonna change my life around

Just a revolutionary with a pseudonym
Just a bar room dancer on my final fling
Just another writer paying off my dues
Just finding inspiration, well that's my excuse

Just for the record I'm gonna put it down
Just for the record I'm gonna change my life around

Just another empty gesture with an empty glass
Just another comic actor behind a tragic mask
But I've got no discipline got no self control
Just a little less painful here when my back's against the wall

It's too late, I found, it's too far, I'm in two minds
Both of them are out of it at the bar
When you say I got a problem that's a certainty
But I can put it all right down to eccentricity
It's just for the record it's just a passing phase

Just for the record
I can stop any day

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Como já disse Luis Fernando Verissimo: "...assunto é uma parte do boi, hoje muito escassa..."



Oam patapai

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

It was 64 years ago today...

"Reflex in the sky warn you you're gonna die..."















Há 64 anos, às 8h15 da manhã no horário local, cerca de 600 metros acima do solo, uns 240 metros fora do alvo, 57 segundos após ser despejado pela tripulação do Enola Gay – um B-29 norte-americano comandado pelo coronel Paul Tibbets e batizado em homenagem à sua mãe –, o artefato conhecido como Little Boy, uma bomba de fissão contendo 60 kg de urânio-235, explodiu em Hiroshima, no Japão, dando um início dramático à Era Nuclear.





O evento, assim como aquele que ocorreria a 9 de agosto de 1945, dentro de três dias, em Nagasaki, ajudou a por fim à Segunda Guerra Mundial, após seis anos de lutas, massacres, bombardeios e resistência; quatro anos depois da entrada dos Estados Unidos no conflito e passados quatro meses da rendição alemã, já que o Império Japonês não era páreo para a “nova arma”.

Milhares de habitantes de Hiroshima morreram instantaneamente (entre 70 e 100 mil), e outros 100 mil, aproximadamente, morreriam nos próximos dias vitimados pelos efeitos da radiação, pelas queimaduras, pela fome, pela sede, pelos incêndios que varreram a cidade e pela falta de atendimento médico.






Inúmeros outros ainda pereceriam nos anos subsequentes devido às sequelas da exposição à radioatividade liberada pela bomba.

As primeiras horas após a explosão foram simplesmente indescritíveis: pessoas soterradas em suas casas pediam socorro inutilmente enquanto incêndios se alastravam pela madeira das construções; queimados e feridos percorriam as ruas como zumbis; os que haviam conseguido escapar ao calor e à destruição inicial buscavam lugares considerados seguros ou os hospitais, que começavam a lotar com feridos e desesperados (não havia médicos ou enfermeiras o suficiente). O atendimento médico adequado levaria dias para ser disponibilizado: aquilo era só o começo do inferno.








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Com a guerra se aproximando do fim após a rendição nazista, devido ao avanço aliado no Pacífico, principalmente o americano, que empurrava os japoneses de volta ao solo nativo, cogitou-se a invasão do Japão.

Histórias são contadas acerca dos motivos que levaram o presidente Truman a autorizar a destruição de Hiroshima e Nagasaki, entre elas, a de que uma invasão por terra do território japonês custaria muitas vidas americanas, já que o Japão se preparava para esse evento, com treinamento de civis (sejam mulheres ou adolescentes) para resistência ao invasor.

O comando norte-americano já ficara impressionado com o espírito de luta do soldado japonês, que nunca se rendia e que lutava até o fim de suas forças. Invasões de lugares como Tarawa e Okinawa tornaram-se verdadeiros massacres: os soldados preferiam a morte à rendição, assim como os civis – convencidos de que seriam torturados e mortos de qualquer maneira pelos soldados do Tio Sam –, que se imolavam às centenas, levando junto seus familiares.

A invasão da ilha japonesa prenunciava um número recorde de baixas no exército e um número ainda maior de baixas civis. Tinham que encontrar outra opção.




Hiroshima fora escolhida, assim como os alvos secundários (Nagasaki e Kokura), devido a sua localização e ao fato de que não houvera nenhum tipo de bombardeio na cidade (sendo assim, os efeitos da bomba A poderiam ser estudados com mais precisão). Tóquio fora descartada devido ao receio de se destruir a capital de um país que, no futuro, poderia um aliado contra os comunistas, e ao fato de que já estava bastante destruída (mais gente morreu durante os bombardeios incendiários de Tóquio do que com as bombas atômicas: as construções no Japão eram, tradicionalmente, de madeira, bambu e papel de arroz).

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Os japoneses demoraram a entender o que acontecera. Várias teorias apareceram para explicar o ataque, mas foi somente após um pronunciamento do presidente americano que os cientistas e militares nipônicos começaram a entender o tamanho da ameaça. O Império Japonês se renderia poucos dias depois do bombardeio a Nagasaki (Kokura era o alvo secundário no primeiro ataque e o principal do segundo, mas escapou: o céu claro sobre os alvos indicava qual cidade deveria ser atingida). Um pronunciamento do Imperador Hiroito, transmitido por rádio, comunicou a rendição aos americanos.




Com a capitulação nipônica, os vencedores logo desceram no país e se engajaram em seus papéis de “benévolos” conquistadores, o que incluía ajuda emergencial às cidades atingidas pelas bombas atômicas: os japoneses não tinham condições apropriadas de tratar dos atingidos. Cientistas e médicos aliados dirigiram-se a Hiroshima e Nagasaki às centenas, para tratar e estudar os efeitos do bombardeio.





As vítimas que sobreviveram aos estragos causados por Little Boy e seu amigo Fat Man (a bomba de Nagasaki, que continha 6,5 kg de plutônio 239) ganharam a alcunha de “hibakusha”, algo como “pessoas afetadas pela explosão”, mas demoraram anos para receber algum reconhecimento ou qualquer ajuda do governo.

Muitas pessoas tiveram suas vidas tão marcadas que – numa sociedade onde a aparência conta bastante e qualquer coisa pode ser motivo de vergonha –, nunca se casaram ou tiveram filhos, tanto com medo da discriminação quanto dos efeitos retardados da radiação. Humilhação, vergonha e sofrimento foram, em diversos casos, perenes.







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Em maio de 1946, poucos meses após os eventos que iniciaram a Era Nuclear, um jornalista americano chega ao Japão resolvido a escrever uma matéria sobre os efeitos das bombas, a ser publicada no primeiro “aniversário” do evento.

John Hersey, filho de missionários americanos e nascido na China, começa então sua pesquisa e resolve escrever a história de seis sobreviventes: duas mulheres e quatro homens, sendo um deles um padre jesuíta alemão.

A reportagem foi publicada em 30 de agosto de 1946 na revista New Yorker e tornou-se um fenômeno do jornalismo. Os 300.000 exemplares praticamente desapareceram das bancas; vários jornais pediram autorização para republicar a matéria; rádios transmitiam trechos ou mesmo todo o conteúdo.

Quarenta anos depois, Hersey voltou ao Japão para complementar sua reportagem e entrevistou novamente os que ainda viviam e seus familiares.

A matéria de John Hersey, transformada num livro chamado simplesmente “Hiroshima”, é considerada um clássico do jornalismo e encontra-se disponível até hoje, com várias edições e reimpressões, estando sempre entre os primeiros lugares nas enquetes e pesquisas sobre as grandes reportagens já publicadas em língua inglesa.



A mais nova edição brasileira ficou a cargo da Companhia Das Letras, que a publicou em sua coleção “Jornalismo Literário”, e pode ser encontrada nas boas livrarias.




That’s it...





Oam patapai