sexta-feira, 8 de maio de 2009

Certeza

"Where do we go from here?"








Dentro da trincheira enlameada, encolhido ao fundo e com o fuzil atirado de lado, ele comprimia as mãos, em desespero, contra o capacete, tentando pregá-lo à cabeça.

Estava quase sozinho: o cadáver de um companheiro de pelotão jazia perto, com o uniforme estranhamente limpo, um dos olhos ainda aberto e diversas perfurações a lhe decorarem o peito.

Os projéteis zumbiam acima e ele nem percebeu a chegada do sargento, até receber um chute nas costelas.

“Levanta daí, soldado. Seus companheiros precisam de você. Eles contam com você. Vamos lá...”

“Eu não posso, sargento.”

“Claro que pode, soldado. Não existe covarde nessa companhia. Vamos logo, para de rastejar e mostra praqueles filhos da puta como se luta. Manda bala neles, porra!”

O soldado não se moveu.

“Levanta daí seu desgraçado, seu covarde de merda... Começa a se comportar que nem homem, senão eu mesmo meto uma porra duma bala na tua cara!”

Virando-se lentamente, sem tirar as mãos do capacete e gritando em meio à cacofonia da batalha, o soldado respondeu:

“Tanto faz, sargento, tanto faz... porra... Pode ser o senhor ou pode ser o inimigo, não importa, porque eu sei, eu sei... eu tenho certeza que a próxima bala que vier vai me acertar, vai ser minha... minha... vai ter meu nome nela... Pode atirar sargento, pode atirar... pode atirar...”


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Oam patapai

Um comentário:

Giovani Iemini disse...

já estive num treinamento de guerra. a coisa é tão estúpida que chega a ser risível.
não há coragem na batalha. só solidão e medo.