terça-feira, 24 de março de 2009

Ficção ligeira

“Can we have everything louder than everything else?”




Greetings,


Há muitos e muitos anos, numa galáxia nada distante, durante uma conversa, Ernest Hemingway afirmou que conseguiria escrever uma história com apenas seis palavras (algumas fontes dizem que foi uma aposta), que foi essa aqui: “For sale: baby shoes, never worn.”

Não tenho muita certeza se isso é lenda ou não, mas faz parte do imaginário literário mundial. E justamente por isso, o periódico americano Wired Magazine, em novembro de 2006, resolveu pedir a diversos autores de ficção científica, fantasia e horror - fossem escritores, roteiristas ou ilustradores – que enviassem suas “micro-histórias” (very short stories, short short stories ou flash fiction) para que fossem publicadas.

Algumas são ótimas, e estão disponíveis em: http://www.wired.com/wired/archive/14.11/sixwords.html

A seguir, juntei as minhas preferidas (a tradução fica a cargo dos leitores):


"Computer, did we bring batteries? Computer?" - Eileen Gunn

"Automobile warranty expires. So does engine." - Stan Lee

"Longed for him. Got him. Shit." - Margaret Atwood

"Epitaph: Foolish humans, never escaped Earth." - Vernor Vinge

"I’m your future, child. Don’t cry." - Stephen Baxter

"TIME MACHINE REACHES FUTURE!!! … nobody there …" - Harry Harrison

"In the beginning was the word." - Gregory Maguire

"Leia: "Baby's yours." Luke: "Bad news…" - Steven Meretzky

"Dorothy: "Fuck it, I'll stay here." - Steven Meretzky

E para não ficar de fora, também bolei a minha, mas em português.

Lá vai: “Chegou como princesa. Fugiu como puta...”


Ernest Hemingway (1899 – 1961), escritor americano conhecido por seu texto econômico, seco e estilizado. Alguns de seus contos são verdadeiras obras de ourivesaria, pequenas joias narrativas de concisão que mais insinuam do que revelam (“Gato na chuva”, “Colinas como elefantes brancos”, “Os assassinos”). Seu texto mais famoso, porém, é “O Velho e o Mar”, uma pequena novela que lhe valeu o Prêmio Pulitzer em 1953. Fazia parte da tradicional confraria dos escritores bebuns e tinha amor por pescarias, safáris e touradas. Estourou seus miolos em 1961, com uma espingarda de cano duplo, durante uma grave crise de depressão.



That's all folks...



Oam patapai

sexta-feira, 13 de março de 2009

"...montes de vírgulas inúteis..."

"Read some Kerouac and it put me on the tracks to burn a little brighter now..."





Entrevistador: E sobre Jazz e Bop como influências, além de... Saroyan, Hemingway e Wolfe?

Jack Kerouac: Sim, Jazz e Bop, do mesmo modo que, digamos, um tenor puxando o ar e soprando uma frase em seu saxofone até que ele fica sem fôlego, e quando isso acontece, sua sentença, sua declaração foi feita... É dessa maneira, portanto, que eu separo minhas sentenças, como intervalos de respiração mental...




Jack Kerouac (1922 – 1969) escritor norte-americano tido como o pioneiro da Geração Beat. Descrevia seu estilo como “prosa espontânea”, pouco ligando para técnicas literárias ou grandes virtuoses linguísticas: os textos fluíam como rios de idéias, como fontes jorrando palavras e pensamentos, muito improviso e nenhuma edição. Daí a comparação com o Jazz. O irônico é que sua obra mais famosa, On The Road (Pé na Estrada na tradução brazuca), foi bastante editada antes da publicação; mas por culpa do editor, é claro. Ídolo de uma geração de doidões e bichos-grilos, Kerouac na verdade era de direita, bastante reacionário em alguns momentos, e odiava todos aqueles hippies cabeludos que, às vezes, vinham bater à sua porta para dizer o quanto a literatura de Jack mudara suas vidas. Morreu de hemorragia causada por cirrose, mais um bebum das letras. Alguns de seus livros podem ser achados em português: Os Vagabundos Sagrados, Os Subterrâneos, Viajante Solitário, o próprio On The Road, e este em duas versões: a original e uma nova versão chamada On The Road – O Manuscrito Original, uma reprodução fiel do “rolo” original de Kerouac, sem edições e com os nomes reais dos personagens.




p.s. O trecho de entrevista foi retirado da entrevista concedida por Kerouac a Ted Berrigan em 1968 e publicada na revista Paris Review. Pode ser lida em inglês no site da revista (http://www.parisreview.com/).
Oam patapai

quarta-feira, 11 de março de 2009

Abordagem de leitura...

"My mother is a fish."





Entrevistador: Algumas pessoas dizem que não conseguem entender seus textos, mesmo depois de terem lido duas ou três vezes. Que abordagem você sugeriria para elas?

William Faulkner: Leiam quatro vezes.


William Faulkner (1897 - 1962), escritor americano, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1949, conhecido por seu estilo experimental, inovador e, para alguns, tortuoso. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão: "Luz em Agosto", "O Som e a Fúria" e "Enquanto Agonizo". Bebum consumado na melhor tradição do escritores alcoólatras, tudo que precisava para escrever era "papel, tabaco, comida e um pouco de whiskey" (Entrevistador: Você quer dizer Bourbon? - Faulkner: Não necessariamente. Entre Scotch e nada, eu fico com o Scotch.)

p.s. O trecho de entrevista foi retirado da entrevista concedida por Faulkner a Jean Stein vanden Heuvel em 1956 e publicada na revista Paris Review. Pode ser lida em inglês no site da revista (www.parisreview.com).

Oam patapai

segunda-feira, 2 de março de 2009

Churrasquinho...

"I am the crazy man who lives inside your head..."



Mais um maravilhoso título de matéria, com os cumprimentos do jornaleco Meia-Hora, do Rio de Janeiro.





See ya,



Oam Patapai