Entrevistador: E sobre Jazz e Bop como influências, além de... Saroyan, Hemingway e Wolfe?
Jack Kerouac: Sim, Jazz e Bop, do mesmo modo que, digamos, um tenor puxando o ar e soprando uma frase em seu saxofone até que ele fica sem fôlego, e quando isso acontece, sua sentença, sua declaração foi feita... É dessa maneira, portanto, que eu separo minhas sentenças, como intervalos de respiração mental...
Jack Kerouac: Sim, Jazz e Bop, do mesmo modo que, digamos, um tenor puxando o ar e soprando uma frase em seu saxofone até que ele fica sem fôlego, e quando isso acontece, sua sentença, sua declaração foi feita... É dessa maneira, portanto, que eu separo minhas sentenças, como intervalos de respiração mental...

Jack Kerouac (1922 – 1969) escritor norte-americano tido como o pioneiro da Geração Beat. Descrevia seu estilo como “prosa espontânea”, pouco ligando para técnicas literárias ou grandes virtuoses linguísticas: os textos fluíam como rios de idéias, como fontes jorrando palavras e pensamentos, muito improviso e nenhuma edição. Daí a comparação com o Jazz. O irônico é que sua obra mais famosa, On The Road (Pé na Estrada na tradução brazuca), foi bastante editada antes da publicação; mas por culpa do editor, é claro. Ídolo de uma geração de doidões e bichos-grilos, Kerouac na verdade era de direita, bastante reacionário em alguns momentos, e odiava todos aqueles hippies cabeludos que, às vezes, vinham bater à sua porta para dizer o quanto a literatura de Jack mudara suas vidas. Morreu de hemorragia causada por cirrose, mais um bebum das letras. Alguns de seus livros podem ser achados em português: Os Vagabundos Sagrados, Os Subterrâneos, Viajante Solitário, o próprio On The Road, e este em duas versões: a original e uma nova versão chamada On The Road – O Manuscrito Original, uma reprodução fiel do “rolo” original de Kerouac, sem edições e com os nomes reais dos personagens.

p.s. O trecho de entrevista foi retirado da entrevista concedida por Kerouac a Ted Berrigan em 1968 e publicada na revista Paris Review. Pode ser lida em inglês no site da revista (http://www.parisreview.com/).
Oam patapai
Um comentário:
"We burn a little brighter now, yeah"
porra... quem imaginaria que iriam acabar numa merda tipo Happiness is the road...
pois é Sancler,botei fé no blog. conteúdo inteligente hoje é raro que nem prog decente. :-)
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